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terça-feira, 21 de julho de 2009

Quantidade e qualidade

As queixas e observações são quase sempre muito parecidas. Na grande maioria das vezes o que se apresenta é um quadro no qual a dificuldade de diálogo franco e natural aparece como pano de fundo de situações mais específicas, que vão desde brigas e discussões causadas por motivos aparentemente fúteis, até um comprometimento mais acentuado, levando ao uso de drogas, afastamento da família ou apatia e desinteresse por parte dos filhos (principalmente no período de pré-adolescência em diante), quando convidados a participar de assuntos que, em situações de “normalidade”, atrairiam sua atenção.

As afirmativas concernentes ao interesse dos pais pela vida dos filhos, à proximidade física e emocional e ao compartilhamento de questões próprias desta faixa de idade,- pelo menos dentro da ótica dos pais - , remetem sempre a aspectos positivos.

Frases do tipo “trabalho muito, é verdade. Por isto, tive sempre pouco tempo para estar com meus filhos. Mas o pouco tempo que passamos juntos tem sido de ótima qualidade. Não é isto que vale? A qualidade do tempo que passamos juntos? Além do mais, sempre fui um bom provedor. Lá em casa nunca faltou nada”. Esta última parte da afirmativa vem, quase sempre, num tom de justificativa, na voz de alguém que se tornou uma quase vítima de uma situação inevitável.

Seria, realmente, a qualidade da relação o âmago da questão?

Isto me faz lembrar dois exemplos que podemos usar aqui a título de ilustração.

Certo pastor, um indivíduo extremamente comprometido com sua igreja e com suas ovelhas, em conversa com colegas, estava sempre afirmando que uma de suas maiores preocupações com relação ao desempenho do ministério estava ligada à visitação às famílias da igreja.

Durante um culto, no qual apresentava um sermão bastante voltado para a edificação do seu rebanho, chamava atenção para o aspecto de sua disposição em estar sempre presente, respondendo às necessidades da igreja. E num ímpeto de certeza, lançou, de púlpito, o desafio. “Aquele que nunca recebeu deste pastor uma visita na qual tivesse a oportunidade de abrir seu coração e tratar de questões aflitivas, manifeste-se levantando uma das mãos.”

Qual não foi sua surpresa quando sua esposa e seus dois filhos se manifestaram obedecendo ao chamado, apesar da dificuldade e do constrangimento.

Naquele momento o pastor percebeu, instantaneamente, o furo. Sua excessiva preocupação, suas horas de trabalho intenso, visando atender às demandas da igreja tinham um nome. Ativismo.

Sua própria família estava desguarnecida e necessitando tanto de sua presença que não titubeou em se manifestar, mesmo que tal atitude causasse aquele desconforto.

Este ativismo tem causado uma série de transtornos familiares e como vem disfarçado de forma sublime, - uma vez que o trabalho, seja ele eclesial ou secular, é realmente necessário -, passa a ser pouco observado. E se é constatado, é imediatamente justificado. Assim, um sem número de famílias de pastores se vêem vitimadas.

Há algumas décadas, pesquisa elaborada nos Estados Unidos, tinha como foco a questão da delinqüência entre jovens. Dentro das estatísticas um determinado dado chamou atenção. O perfil delinqüente aparecia de forma muito mais discreta e em muito menor número entre as famílias de orientais, (especialmente japoneses), que nas famílias americanas. Qual seria a causa? Onde estaria o motivo da discrepância? Seria a causa uma questão cultural? Seria óbvio pensar que sim.

A verdadeira causa era muito mais simples e uma conseqüência de ordem prática.

Por questões econômicas, os imigrantes japoneses escolhiam seu local de moradia o mais próximo possível do local de trabalho. Isto possibilitava o deslocamento a pé além de proporcionar a chance de retornarem para suas casas no horário de almoço, momento que era extremamente valorizado, passado junto à família.

Estas duas horas de almoço eram gastas em conversas informais, debates familiares; enfim em relacionamento familiar em torno da mesa, o que definitivamente não acontecia entre as famílias americanas, que obedeciam ao sistema de trabalho de 9:00 às 5:00, adeptos ao Fast Food.

O simples fato de almoçar em casa proporcionava aos japoneses a oportunidade de estarem juntos. Aumentava o período de tempo que pais e filhos passavam juntos. Convívio.

Assim, Qualidade + Quantidade de relacionamento = Menor Delinqüência.

Esta era a fórmula, alcançada quase acidentalmente pelos japoneses, em função de uma realidade econômica desfavorável.

Era a necessidade transformada em bênção.

A afirmativa “O tempo que passo com meus filhos é curto mas de excelente qualidade”, pode até funcionar como válvula de escape. Mas a Quantidade de Tempo “gasto” com a família é fator fundamental para que questões simples sejam tratadas enquanto simples, evitando que cresçam e se tornem problemas.

Se você acha que o tempo não é assim tão importante, pergunte o valor de 1 segundo a um corredor de Fórmula 1! Ou o valor de meia hora a um casal de namorados!

A propósito. A prática do Slow Food tem se difundido amplamente em países europeus onde, mesmo atarefados homens de negócios, têm descoberto o prazer e os benefícios do tempo passado com a família.

Por Dr. Guilherme Torres de Oliveira

Artigo extraído do site www.lagoniha.com

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